A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira, 22, buscando anular a decisão que autorizou a busca e apreensão em sua residência. A medida faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta-feira, 18.
A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, apura supostos favorecimentos do senador ao Banco Master no Congresso Nacional em troca de vantagens indevidas, incluindo um apartamento de luxo em Salvador e repasses a empresas de familiares.
Segundo a PF, Jaques Wagner, líder do governo no Senado, teria atuado em defesa dos interesses do Banco Master, recebendo, em contrapartida, um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões na capital baiana, além de transferências financeiras para empresas ligadas aos seus familiares. Em nota, a defesa do parlamentar afirmou que houve “erros graves” na condução do processo, que, segundo ela, comprometem a ação.
Senador nega acusações
“O senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master. Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco”, declarou o advogado Pablo Rodrigues. A defesa complementa que Jaques Wagner se posicionou contra a denominada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia operacional do Banco Central (BC)
O relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), confirmou nunca ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto. Além de Jaques Wagner, a Operação Compliance Zero também mirou o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, liquidado pelo BC em fevereiro. A operação busca desvendar um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça, com indícios de conexão com o Banco Master.