Operação deflagrada pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) nesta quarta-feira (10) cumpre mandado de busca e apreensão contra o vereador Luan Alves (MDB), ex-presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) de Goiânia. O parlamentar investigado é presidente da CCJ da Câmara Municipalde Goiânia e filho do deputado estadual Clécio Alves (Republicanos), ferrenho crítico do prefeito Sandr Mabel..
Além de Luan Alves, a ação policial mirou outros seis ex-servidores públicos e o ex-vereador Paulo Henrique da Farmácia, que comandou a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa de Goiânia e é o atual presidente da Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo). A Deccor apura a existência de um esquema criminoso voltado para a cobrança de propina em troca da liberação de alvarás de funcionamento temporário para atividades de entretenimento em Goiânia, com vigência entre os anos de 2017 e 2022.
A denúncia que deu origem às investigações partiu de um empresário do setor, que relatou a exigência de repasses financeiros em dinheiro espécie, transferências bancárias, Pix, depósitos e até a prestação de serviços gratuitos para que as licenças fossem concedidas. O foco principal da apuração envolve a liberação para as famosas “carretas Furacão” e “da Alegria”, mas as fraudes também alcançavam parques de diversões natalinos e praças de alimentação. Os agentes públicos envolvidos no esquema operavam articulados em três secretarias municipais diferentes, além da Amma.
O inquérito policial apura os crimes de corrupção ativa, concussão (quando o funcionário público exige vantagem indevida em razão da função) e associação criminosa. De acordo com as investigações colhidas até o momento, Luan Alves não é apontado como o solicitante direto das vantagens financeiras aos empresários. No entanto, o vereador foi inserido no rol de investigados e acabou virando alvo de busca e apreensão por ter sido citado em episódios de criação de dificuldades burocráticas vinculadas à liberação e à documentação necessária para o funcionamento das atividades de entretenimento. Além das buscas, a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de outros cinco envolvidos.
Por meio de nota, o parlamentar disse que a Polícia Civil esteve em sua residência “cumprindo mandado de busca e apreensão por uma operação da qual não tive acesso sequer aos autos até o momento.” Ele acrescenta que não estava presente e de nada foi informado. “Não sei do que se trata e reforço que nada foi encontrado em minha casa.” Ele conclui a nota afirmando que está no aguardo das apurações e à disposição para prestar esclarecimentos e contribuir com o trâmite legal da investigação.