Após ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram para dar sequência às negociações comerciais. O encontro ocorreu na tarde de segunda-feira (31) de forma virtual.
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que Trump orientou sua equipe a trabalhar para negociar um acordo com o Brasil sobre o tarifaço.
“A reunião só foi possível com a conversa direta do presidente Lula com o presidente Trump. Nós deixamos claro que o propósito do Brasil é que trabalhemos para que se tenha um acordo, o mais abrangente possível, que afaste essas tarifas indevidas. E, por outro lado, disseram que a recomendação do presidente Trump é para trabalharmos para um acordo”, disse o ministro em coletiva.
Segundo o ministro, o Pix chegou a ser tratado, mas foi deixado claro que não existe possibilidade de negociação sobre o modelo de pagamento. “O Pix é um patrimônio do Brasil. Mais de 80% dos brasileiros usam Pix. Não há a possibilidade de negociarmos o Pix, isso foi ressaltado.”
Ele continuou: “Teremos reuniões técnicas para acertar as bases. Não vamos seguir na linha do que vinha antes, era uma proposta de acordo muito genérica. O Brasil já recusou. Insistimos nesse ponto na negociação. Estou muito otimista. Após o telefonema de Lula e Trump, há uma indicação clara do Trump por um acordo.”
Sobretaxas
Neste ano, os Estados Unidos impuseram cobranças extras sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%. A maior atingiu, a partir de julho, produtos como máquinas, móveis, etanol, açúcar e calçados — ficaram de fora itens como café, carne bovina e aeronaves.
As sobretaxas foram justificadas pelos EUA devido ao Brasil adotar práticas comerciais consideradas desleais. A investigação do país citou comércio digital, Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e desmatamento.
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