Brasil, 25 de abril de 2026
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Política

Lula escolhe Trump como advsersário para tentar enfraquecer Flávio Bolsonaro

As críticas a Trump tornaram-se recorrentes no discurso de Lula e revelam parte da estrategia eleitoral adotada pelo petista para enfrentar o oponente Flávio Bolsonaro (PL)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva )PT) voltou a criticar o presidente dos EUA, Donald Trump, pela condução da guerra contra o Irã e afirmou que o Brasil deve atuar como investidor da paz mundial, priorizando ações de desenvolvimento e combate à pobreza.

As críticas a Trump tornaram-se recorrentes no discurso de Lula e revelam parte da estrategia eleitoral adotada pelo petista para enfrentar o oponente Flávio Bolsonaro (PL).

Nesse sentido, o movimento permitiria ao presidente reforçar sua posição diante do eleitorado ao explorar o antagonismo com Trump, figura associada ao bolsonarismo, que é identificado como próximo ao universo político trumpista.

O retorno de Trump à Casa Branca tornou previsível o conflito político com Lula, sobretudo pelo alinhamento ideológico entre o líder norte-americano e Jair Bolsonaro (PL).

Lula aproveitou o tarifaço de Trump contra o Brasil para reforçar sua narrativa política, associando adversários a interesses estrangeiros e obtendo melhora em sua avaliação. A briga rendeu pontos precisosos nas pesquisas e deu fôlego para o petista.

Em determinado momento, houve uma aproximação pragmática com Trump para contirnr sanções mais severas, como a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e um impacto mais amplo do chamado “tarifaço”. No entanto, a partir de março, com o início mais visível da campanha pela reeleição, o tom do presidente mudou.

Lula passou disparar declarações críticas a Trump e protagonizou episódios de tensão diplomática, como a negativa de visto a um emissário da Casa Branca que pretendia visitar Bolsonaro na prisão, além de medidas de reciprocidade após a expulsão de um delegado brasileiro dos Estados Unidos.

Há agora sinais de novas pressões por parte de Washington, incluindo possíveis medidas relacionadas à exploração de terras raras e supostos prejuízos a empresas americanas decorrentes do sistema de pagamentos Pix. 

Outro elemento central da estratégia de Lula seria a exploração de temas internacionais sensíveis. Lula vem criticando com frequência conflitos como a guerra envolvendo o Irã e a situação na Venezuela, apoiando-se em dados de opinião pública. Números do Datafolha indicam que 70% dos eleitores são contrários ao conflito, 92% acreditam que ele eleva o preço dos alimentos e 75% avaliam que terá impacto eleitoral.

Analistas avaliam que haveria riscos na estratégia de Lula. O comportamento considerado instável de Trump poderia levar a novas retaliações contra o Brasil, inclusive por meio de sanções econômicas. Diferentemente de episódios anteriores, nesse cenário Lula não poderia atribuir a responsabilidade a adversários internos.

Mesmo assim, a conclusão é que há lógica política na escolha de Trump como adversário, especialmente para marcar diferenças em relação a Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o trumpismo dificulta uma tentativa de se apresentar como figura moderada no cenário nacional.