CEO e sócio-fundador da Quaest, o cientista político Felipe Nunes colocou Goiás e o Tocantins entre os 11 estados onde a disputa pelo governo podetrá ser definida já primeiro turno das eleições de 2026. A análise considera pesquisas divulgadas até 25 de setembro e aponta que até 19 das 27 eleições estaduais podem terminar em 4 de outubro.
Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) já teria alcançado percentual superior a 50% dos votos. No Tocantins, a professora Dorinha Seabra (União Brasil) colocou frente de mais de 13% sobre o segundo colocado e aproxima também dos 50% necessários pra vencer no primeiro turno.
Além de Goiás e Tocantins, Nunes inclui nesse primeiro grupo Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. A avaliação considera o quadro apresentado pelas pesquisas disponíveis em cada estado.
Nunes é professor de Políticas Públicas da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), Ph.D. em Ciência Política e mestre em Estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).
Até 19 estados
Outras quatro disputas — Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco — aparecem na análise de Nunes concentradas entre dois candidatos, com os demais concorrentes mais distantes. Pela distribuição das intenções de voto, esses estados também podem encerrar suas disputas no primeiro turno.
Nunes aponta ainda Acre, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rondônia como estados nos quais o movimento registrado pelas pesquisas se aproxima desse cenário. Caso 19 disputas terminem na primeira rodada, seria o maior número desde 2002. Em 2010, 18 estados escolheram seus governadores no primeiro turno.
Para o cientista político, uma das explicações está na redução do número de candidatos aos governos estaduais. A média caiu de 8,3 candidaturas por estado em 2022 para 7,2 em 2026. Com menos nomes na disputa, os votos tendem a ficar concentrados entre os principais concorrentes.
Nunes também relaciona esse quadro às estratégias dos partidos diante das regras de desempenho e da distribuição dos fundos partidário e eleitoral. Com a eleição de deputados federais ligada à força das legendas nos anos seguintes, partidos concentram recursos nas disputas proporcionais e formam alianças nas eleições estaduais.