

O Instituto Iter, empresa de cursos e palestras vinculada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), faturou R$ 10,4 milhões em 2025, revelam documentos contábeis obtidos pelo ICL Notícias. O faturamento envolve R$ 5 milhões em contratos com o setor público e pelo menos R$ 5,4 milhões vindos de clientes privados não divulgados. Após a repercussão das revelações e a associação de sua imagem ao negócio, Mendonça anunciou o desvinculamento da sociedade.
A empresa tem como principais acionistas o ministro e sua esposa, além de ex-integrantes do governo Bolsonaro — como o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga — e dois assessores diretos de seu gabinete no STF e no TSE. Levantamentos indicam que a sede da instituição, em São Paulo, abrigou um encontro fora da agenda entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ocorrido meses antes de Mendonça assumir a relatoria de processos do caso no STF.
Diante do desgaste, a assessoria do ministro informou que ele e a esposa cederão a totalidade de suas cotas sem contrapartida financeira, destinando eventuais valores a fins sociais, embora ele permaneça atuando como professor na instituição. A empresa e o magistrado não responderam aos questionamentos sobre a identidade dos contratantes privados, custos operacionais e potenciais conflitos de interesse na estrutura societária.