Brasil, 09 de julho de 2026
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Tribunais de Justiça estaduais pagaram ao menos R$ 722,8 milhões em penduricalhos após restrições do STF

Supremo já pediu esclarecimentos sobre os pagamentos acima dos limites

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Levantamento desta quinta-feira (9) da CNN Brasil mostra que os Tribunais de Justiça estaduais pagaram ao menos R$ 722,8 milhões em penduricalhos a juízes e desembargadores entre maio e junho. Trata-se dos primeiros dois meses em que passaram a valer as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

As rubricas de direitos pessoais, indenizações e direitos eventuais somaram R$ 722.865.865,40 nesses dois meses, conforme apurado. Em maio, 23 tribunais revelaram um gasto de R$ 479,9 milhões com penduricalhos ao CNJ, enquanto em junho, com base em 15 Judiciários estaduais, foram R$ 242,9 milhões.

Confira o ranking de pagamentos em verbas extras:

  • TJRJ: R$ 110.648.647,19
  • TJPR: R$ 62.394.617,76
  • TJRS: R$ 61.530.330,64
  • TJBA: R$ 40.623.395,38
  • TJPE: R$ 40.439.736,61
  • TJGO: R$ 30.627.414,44
  • TJMA: R$ 29.304.640,95
  • TJPA: R$ 25.711.561,62
  • TJDFT: R$ 24.432.315,20
  • TJPI: R$ 17.066.421,13
  • TJRN: R$ 15.858.757,93
  • TJRO: R$ 15.660.626,47
  • TJAP: R$ 7.219.554,94
  • TJAC: R$ 7.130.853,80
  • TJRR: R$ 3.123.782,37

Na segunda-feira (6), o STF pediu esclarecimentos aos presidentes de sete tribunais sobre os pagamentos acima dos limites. Entre eles, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Em março, o Supremo definiu parâmetros para limitar os “penduricalhos”, além de reforçar o cumprimento do teto constitucional. O valor hoje é de R$ 46,3 mil.

A Corte não proibiu todas as rubricas. Contudo, determinou o corte de auxílios com base em normas locais e definiu o que pode ser pago em situações específicas. Inclusive, foi estabelecido o limite de 35% do subsídio para verbas indenizatórias autorizadas: férias, plantões e licenças não usufruídas por necessidade de serviço.

Em nota, o TJGO disse que as folhas de maio e junho passaram pelo CNJ e foram autorizadas. Confira na íntegra:

“O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás esclarece que, em razão da auditoria conduzida pela Corregedoria Nacional de Justiça junto a esta corte, as folhas de pagamento referentes às competências de maio e junho foram previamente submetidas ao crivo do Conselho Nacional de Justiça, tendo seu processamento sido autorizado antes da efetivação dos pagamentos. Em relação à folha de julho, informa-se que ela sequer foi finalizada, considerando que o pagamento ocorrerá apenas no final do mês.

Dessa forma, os pagamentos realizados nessas competências ocorreram em estrito cumprimento às determinações dos órgãos de controle e às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal.

O Tribunal prestará, no prazo estabelecido, todos os esclarecimentos solicitados ao STF, oportunidade em que apresentará as informações e documentos pertinentes para o completo esclarecimento dos fatos.

Já o TJDFT disse que “os esclarecimentos foram prestados às autoridades competentes”. O TJMT, por sua vez, afirmou que cumpre integralmente as determinações do STF e dos órgãos de controle. Os demais tribunais citados no levantamento não se manifestaram ao veículo.

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