Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) rebateu uma fala antivacina durante entrevista a um podcast de direita e afirmou que opiniões sobre imunização precisam de embasamento científico.
O bate-boca ocorreu na quarta-feira (3), quando o apresentador Felipe Sestaro abordou medidas adotadas no Brasil durante a pandemia da Covid-19.
O pré-candidato discutiu com Felipe Sestaro, que também é médico, após o apresentador afirmar que isolamento social e uso de máscaras foram “comprovadamente” desnecessários e declarar que a vacina contra o vírus “matou pessoas”, embora tenha reconhecido a importância das vacinas convencionais.
“O problema não é perguntar. A gente precisa respeitar nossa profissão. [Salvar vidas] é um juramento que nós temos, e precisamos ser pessoas evoluídas para entender que quanto mais você oferece cobertura ao jovem, mais propõe a ele uma vida digna, com capacidade cognitiva, física e sem sequelas”, declarou Caiado.
O ex-governador sustentou que decisões sobre vacinação não podem se basear em opinião pessoal nem em disputa ideológica. Para ele, a proteção à saúde deve partir de evidências e de práticas reconhecidas pela medicina.
“Tudo isso não é achismo de A ou de B. São teses que levatamos e que são incluídas no processo de proteção ao ser humano, independentemente de posição ideológica ou se é de direita ou esquerda. Pelo amor de Deus, isso é ciência, e está acima de problema ideológico e político. Você não pode levar ao palanque esse tipo de conversa”, disse Caiado.
Durante a entrevista, Felipe perguntou ao governador sua avaliação sobre as ações tomadas no Brasil durante a pandemia. A partir daí, o debate ganhou tom mais duro, com Caiado defendendo medidas sanitárias adotadas diante de um vírus que, naquele momento, ainda não tinha tratamento conhecido.
O ex-governador questionou o apresentador sobre os fundamentos da medicina diante de uma doença com grande potencial de causar mortes.
“O nosso princípio básico como médico é salvar vidas. Segundo lugar, qual é o princípio básico na saúde quando você tem um vírus com potencialidade enorme de causar óbitos e não tem como tratá-lo?”, perguntou Caiado.
Felipe respondeu com a palavra “isolamento”. Na sequência, Caiado reforçou que a transmissão de doenças pode ocorrer por diferentes vias e que a resposta inicial à Covid-19 exigiu o uso de recursos disponíveis à época.
“As pessoas não podem quebrar o que é universal. Contaminações se dão pelo ar, pela saliva, pelo sangue, são várias as formas de transmissão. O que você tem que entender é que dentro daquilo que não conhecíamos, tivemos que usar todas as ferramentas conhecidas: máscara, isolamento, limpeza da mão toda hora”, pontuou.
Caiado também afirmou que qualquer avaliação sobre possíveis efeitos de uma vacina precisa passar por comprovação científica. O governador rejeitou a ideia de tratar suspeitas sem prova como argumento válido no debate público.
“Você pode opinar se for cientista e provar no seu laboratório que essa vacina vai levar a alguma complicação. Argumento de achismo não é ciência”, retrucou.
Logo depois, o ex-governador classificou as falas de Felipe como “desserviço”. A discussão repercutiu entre espectadores do programa, com comentários divididos entre críticas e elogios ao posicionamento de Caiado.