Brasil, 01 de junho de 2026
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Goiás

Dentista presa em Goiânia causou deformidades em pelo menos 7 pacientes

De acordo com as apuração da polícia, Valéria realizava procedimentos incompatíveis com a habilitação profissional e não possuía qualificação para executar cirurgias plásticas ou cirurgias bucomaxilofaciais

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Pelo menos sete pessoas sofreram deformidades graves após procedimentos estéticos realizados pela dentista iValéroa Robeiro, presa em Goiânia. De acordo com a Polícia Civil de Goiás, as vítimas ficaram com sequelas como infecções, necroses, fibroses e cicatrizes permanentes.

A odontóloga foi presa preventivamente durante a Operação Protocolo de Risco, realizadada pela Polícia Civil com apoio da Vigilância Sanitária na última quinta-feira (28). A ação também resultou na interdição de uma clínica estética no Setor Bueno e no bloqueio de R$ 600 mil em bens e valores ligados à investigada.

De acordo com as apurações, Valéria realizava procedimentos incompatíveis com a habilitação profissional e não possuía qualificação para executar cirurgias plásticas ou cirurgias bucomaxilofaciais.

As investigações começaram após denúncias de pacientes que procuraram a polícia para relatar complicações decorrentes dos procedimentos. Os primeiros relatos chegaram em 2024, mas alguns casos teriam ocorrido desde 2023.

Segundo o delegado Wladimir Freire, responsável pelo caso, as sete vítimas identificadas apresentaram lesões consideradas graves pela investigação.

Quando você fica mais de 30 dias ausente das suas funções, sem condições de agir normalmente, ela é grave para a Justiça.Wladimir Freire

Procedimentos duravam mais de 12 horas

A Polícia Civil afirma que a investigada realizava cirurgias como rinoplastia, bichectomia e lipo de papada dentro da própria clínica.

Operação Protocolo de Risco
Divulgação/Polícia CivilOperação Protocolo de Risco

Os relatos reunidos pela investigação apontam que alguns procedimentos duravam mais de 12 horas e eram realizados em uma sala odontológica comum, sem a estrutura considerada adequada para intervenções de maior complexidade.

Ainda segundo a polícia, pacientes denunciaram falhas na esterilização de materiais, ausência de acompanhamento anestésico suficiente e falta de condições sanitárias adequadas

As consequências teriam sido graves. Além das deformidades, as vítimas relataram infecções, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes.

Em um dos casos, uma paciente quase precisou ser encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), segundo o delegado.

Teve uma que quase foi [para a UTI]. Ela levou para a casa dela para tratar lá.Wladimir Freire

Clínica interditada

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, policiais e fiscais da Vigilância Sanitária interditaram a clínica de Valéria onde os procedimentos eram realizados.

Operação Protocolo de Risco
Divulgação/Polícia CivilOperação Protocolo de Risco

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados à investigada. Foram recolhidos documentos, prontuários, aparelhos eletrônicos, contratos e equipamentos que podem ajudar no andamento das investigações.

Durante a operação, uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ela tentou esconder materiais que seriam analisados pelos investigadores.

A corporação informou que a mulher responderá por obstrução da atividade policial.

Conselho acompanha o caso

Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que acompanha os desdobramentos da investigação.