O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou crescimento em cenários da disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (15), mas o levantamento ainda não captou os efeitos políticos da revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, caso que passou a ser chamado de escândalo “Flávio-Vorcaro” ou “Dark Horse”.
As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo. A pesquisa foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), antes da ampla repercussão da divulgação dos diálogos pelo site Intercept Brasil. O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Mesmo sem registrar ainda os possíveis impactos do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta melhora no desempenho eleitoral de Lula em comparação ao cenário de abril, especialmente nas simulações de segundo turno contra os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
O presidente também manteve estabilidade no cenário mais competitivo da pesquisa: o eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Os dois aparecem empatados com 45% das intenções de voto. Outros 9% declararam voto branco ou nulo, enquanto 1% afirmou não saber.
Escândalo envolvendo Flávio ficou fora da maior parte das entrevistas
Segundo a reportagem da Folha, a maior parte das entrevistas foi realizada antes da publicação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O episódio interrompeu uma sequência de acontecimentos politicamente favoráveis ao senador.
Nos últimos meses, Flávio vinha acumulando vitórias políticas importantes para o campo bolsonarista. Entre elas, a derrubada do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, medida que abre caminho para redução de penas e pode beneficiar juridicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, o senador tentou explorar politicamente a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota foi histórica: pela primeira vez desde 1894, um indicado à Corte foi barrado pelos senadores.
Primeiro turno mantém polarização
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada.
Renan Santos (Missão) registra 2%, enquanto Cabo Daciolo (Mobiliza) soma 1%. Outros 9% afirmaram votar em branco ou nulo, e 3% disseram não saber.
Em uma segunda simulação de primeiro turno, com a presença de Ciro Gomes (PSDB), Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34%. Ciro soma 5%, Zema tem 4%, e Caiado, Renan Santos e Augusto Cury aparecem com 2% cada.
Apesar de figurar no levantamento, Ciro Gomes já afirmou publicamente que pretende disputar o Governo do Ceará e não o Palácio do Planalto.
Lula lidera espontânea com folga
Na pesquisa espontânea — quando o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos — Lula mantém ampla liderança. O presidente foi citado por 27% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 18%.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível, foi lembrado por 3% dos entrevistados. Ronaldo Caiado registrou 1%.
O índice de indecisos ainda é elevado: 39% afirmaram não saber em quem votar.
Rejeição segue elevada entre Lula e Flávio
Lula e Flávio Bolsonaro também concentram os maiores índices de rejeição da disputa. Segundo o Datafolha, 47% afirmam que não votariam no atual presidente “de jeito nenhum” no primeiro turno.
Entre Flávio Bolsonaro, o índice de rejeição chega a 43%. Os números permanecem relativamente estáveis em relação ao levantamento de abril.
Romeu Zema registra 15% de rejeição e é desconhecido por 54% do eleitorado. Ronaldo Caiado tem rejeição de 13% e é desconhecido por 53% dos entrevistados.