Brasil, 20 de abril de 2026
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Por US$ 2,8 bilhões, EUA passam a controlar única mina ativa de terras no Brasil, em Minaçu (GO)

A mina Pela Ema, da Serra Verde em Minaçu, é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro elementos magnéticos de terras raras

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A americana USA Rare Earth (USAR) anunciou nesta segunda-feira, 20, a assinatura de um acordo definitivo para adquirir 100% do Serra Verde Group, dono da mina e unidade de processamento de terras raras Pela Ema, na cidade de Minaçu, em Goiás. O valor da transação foi estimado em cerca de US$ 2,8 bilhões, com pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações ordinárias da USAR, tomando como referência o valor de fechamento de US$ 19,95 em 17 de abril.

A conclusão da operação é esperada para o terceiro trimestre deste ano, “sujeito a condições usuais e aprovações regulatórias”. Segundo a USAR, a operação assegura um ativo considerado “único” por ser, fora da Ásia, o único produtor em escala comercial de quatro elementos magnéticos de terras raras (Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio).

“A mina Pela Ema, da Serra Verde, é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro elementos magnéticos de terras raras”, afirmou Barbara Humpton, CEO do USA Rare Earth, no comunicado.

Esses elementos são ingredientes essenciais na fabricação, por exemplo, de motores elétricos eficientes, turbinas de geração de energia eólica, telas de TV, imãs de discos rígidos de computadores e de sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras aplicações.

O negócio envolvendo uma empresa dos Estados Unidos e a mineradora brasileira tem um importante contexto geopolítico atual, que tem sido marcado pela disputa entre norte-americanos e chinesas pelo domínio de terras raras no mundo. O Brasil tem cerca de um quarto das reservas mundiais de terrar raras. Fica atrás apenas da China.

A combinação entre a Serra Verde e a USAR vai criar uma multinacional com operações no Brasil, nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido e com capacidade para atuar na cadeia completa de suprimentos de terras raras leves e pesadas, como mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.

“Estamos entusiasmados em unir forças com a USAR para criar uma empresa maior e mais diversificada, abrangendo a cadeia de suprimentos de ETRs (elementos de terras raras) no Brasil, EUA e os seus aliados. A combinação permitirá investimentos sustentados e crescimento da operação, criando empregos, contribuições fiscais e investimentos que beneficiarão funcionários, a comunidade e o Brasil”, disse Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde, por meio de nota.

Com o negócio, Mick Davis e Moraitis, presidente do conselho e CEO do Grupo Serra Verde, respectivamente, vão integrar o conselho de administração da empresa combinada. Moraitis também deverá assumir o cargo de presidente da companhia.

No Brasil, a operação será liderada por Ricardo Grossi, atual presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO (Chief Operating Officer) do Grupo Serra Verde.

Expectativa de crescimento

Segundo o comunicado divulgado pela USAR, a Serra Verde deve apresentar um ebitda (o lucro da companhia antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anualizado de US$ 550 milhões a US$ 650 milhões até o fim de 2027. Com o negócio, espera-se que a empresa combinada gere US$ 1,8 bilhão em 2030.

A unidade da Serra Verde tem capacidade instalada de 5 mil toneladas equivalente de óxido de terras raras (OTR) contido em concentrado de carbonato (produto final). 

A empresa tem um contrato de compra mínima garantida de 15 anos para 100% da produção da Fase 1 desses quatro elementos, com um veículo de propósito específico capitalizado por diversas partes do governo dos Estados Unidos e fontes privadas, incluindo pisos de preço para os elementos.

A companhia cita um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC, uma agência de fomento) para otimização e expansão até o fluxo de caixa ficar positivo.

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