
Moro deixa União Brasil para se filiar ao PL
Moro deixa a legenda após não garantir o apoio do PP

Moro deixa a legenda após não garantir o apoio do PP
O senador Sergio Moro deixa o União Brasil nesta terça-feira (24) para se filiar ao PL. Na última semana, ele recebeu o apoio do senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para disputar o governo do Paraná.
Moro deixa a legenda após não garantir o apoio do PP, que está em processo de federação com o União Brasil. Além disso, a filiação representa uma reaproximação ao entorno da família Bolsonaro.
Em 2018, o ex-juiz foi escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PL) para se tornar ministro da Justiça. Naquele momento, o ex-magistrado estava no auge de sua popularidade após prender Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na operação Lava Jato.
Bolsonaro queria fazer dele um “superministro”, mas os problemas começaram ainda em 2019, no primeiro ano de governo. Moro defendia um “pacote anticrime”, que passou desfigurado, e ele culpou o governo por falta de empenho.
Além disso, a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia também causou mal-estar na relação.
O maior momento de atrito, contudo, foi quando houve a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que tinha a confiança de Moro. O ex-juiz dizia que Bolsonaro queria mais acesso às investigações sobre integrantes da família dele, interferindo na PF.
Bolsonaro foi flagrado em vídeo dizendo que não esperaria a família ser prejudicada, só porque não podia “trocar alguém da segurança na ponta da linha”. O ex-presidente chegou a dizer em depoimento que o ex-ministro era um “Judas” e que só tinha “compromisso com o próprio ego e não com o Brasil”. Ele também negou interferência.
Moro deixou o cargo em 24 de abril de 2020, alegando pressão do então presidente por mudanças da PF e acesso às informações de investigações. “O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, disse ao sair.
Até 2022, Moro se tornou alvo de aliados do bolsonarismo, que o acusavam de traição. Contudo, no pleito daquele ano, o ex-juiz apoiou a reeleição de Bolsonaro e conseguiu uma reaproximação.