
Suplente do PSDB na Câmara de Goiânia, Michel Magul pede para participar de ação contra Aava
Segundo ele, houve uma "confissão inequívoca" da infidelidade partidária

Segundo ele, houve uma "confissão inequívoca" da infidelidade partidária
Primeiro suplente do PSDB na Câmara de Goiânia, Michel Magul pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), nesta semana, para ingressar como assistente litisconsorcial na ação do partido contra a vereadora Aava Santiago (PSB) por infidelidade partidária. Na peça, ele mantém os argumentos já apresentados pela legenda.
Segundo ele, houve uma “confissão inequívoca” de Aava da infidelidade partidária ao publicar vídeo nas redes sociais em que comenta a ação e diz ter ciência da inexistência de janela para vereadores. A defesa de Magul entende que não existia “justa causa” para desfiliação do PSDB.
Aava se filiou e assumiu a presidência do PSB no último mês sem uma carta de anuência para mudar de sigla. Vale citar que a janela partidária deste ano é apenas para deputados estaduais e federais.
Em nota por meio de sua assessoria, à época da ação, a vereadora disse que a situação a pegou de surpresa. “Tanto pelos 20 anos em que foi filiada à legenda quanto pelo fato de que, desde outubro de 2025, vinha mantendo conversas diretas sobre o tema com o presidente licenciado do PSDB em Goiás, Marconi Perillo.”
A situação, contudo, escalou. A ex-tucana acusou “um pequeno grupo de homens” de tentar retirá-la da Câmara Municipal, além de desrespeitar seus votos na eleição municipal.
Presidente do PSDB em Goiânia
O presidente do PSDB em Goiânia, Matheus Ribeiro, disse, na terça-feira (10), que a vereadora Aava Santiago “está mentindo publicamente”. A fala foi uma reação a uma publicação da ex-tucana que acusava “um pequeno grupo de homens” de tentar retirá-la da Câmara Municipal, após o ex-partido dela mover uma ação contra ela por infidelidade partidária.
Aava se filiou ao PSB e assumiu a presidência do partido sem carta de anuência em fevereiro. Após formalizar sua saída do PSDB, a legenda entrou na Justiça para pedir mandato dela. Em vídeo, Matheus disse que a vereadora não procurou o diretório municipal ou estadual para tratar da mudança, e ainda compartilhou uma entrevista dela, admitindo não haver janela para trocar de sigla.
“Em nenhum momento, a Aava procurou o PSDB em Goiânia, muito menos o diretório estadual, para pedir uma carta de anuência ou comunicar o seu interesse em se desfiliar do partido. Fato que ela concretizou em 10 de fevereiro, assinando ficha de filiação por conta própria”, declarou. “A Aava nunca me procurou para tratar desse assunto e cabe ao diretório do PSDB em Goiânia tratar de questões relacionadas a esse fato. Está claro que ela saiu por vontade própria, em busca de um projeto pessoal.”
A vereadora, em publicação no fim de semana, disse que tratou do assunto com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e que o PSDB desrespeita os votos que ela teve. Matheus, todavia, ressaltou que ela nunca teve dele aval ou garantia de que o partido não reivindicaria o mandato. “Algo que é seu [do partido] por direito.”
“Quero dizer que tenho profundo respeito pelos mais de 10 mil votos recebidos pela Aava nas últimas eleições, mas tenho compromisso ainda maior com os mais de 26 mil votos recebidos pela nossa chapa, do PSDB, para a Câmara de Goiânia e com os quase 47 mil que tive na disputa à prefeitura”, finalizou.
Em nota, a assessoria de Aava disse que o vídeo divulgado em suas redes sociais no último domingo, 8 de março, teve caráter elucidativo, dirigido ao público e às pessoas que acompanham o seu trabalho. “A publicação teve como objetivo contextualizar a situação para quem buscava compreender os fatos após tomar conhecimento, pela imprensa, assim como a própria vereadora, da existência de uma ação judicial apresentada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em desfavor do seu mandato”.
Ainda segundo o texto, as declarações de integrantes do PSDB sobre as manifestações da vereadora serão respondidas no âmbito do processo judicial, quando for formalmente citada nos autos.
Vídeo de Aava no fim de semana
No domingo (8), Aava disse, em vídeo, que “um pequeno grupo de homens decidiu que vai tentar tirar o mandato da mulher mais votada da história de Goiânia. Querem tirar de você essa cadeira e todas as lutas travadas a partir daqui”. Ela não citou nomes, mas utilizou fotos do presidente do PSDB em Goiás, deputado estadual Gustavo Sebba, do jornalista Matheus Ribeiro, que dirige o diretório tucano em Goiânia, do ex-governador Marconi Perillo e do suplente de vereador, Michel Magul.
“Eu sei o que diz a legislação eleitoral. Sei que não tenho a tal janela para mudar de partido. Mas eu tinha uma coisa e me apeguei a ela: a palavra de Marconi Perillo, a quem eu reportei cada passo das conversas com outros partidos e de quem ouvi várias vezes que se empenharia para construir uma saída harmônica”, continuou.
Na ocasião, ela ainda citou sua trajetória de décadas no PSDB e venceu uma eleição em Goiânia “quando o partido era terra arrasada e ninguém queria associar sua imagem a ele”. Disse, ainda, que “na última eleição, eu recebi R$ 50 mil de fundo eleitoral. O presidente do partido em Goiânia, que assina a ação, recebeu R$ 3 milhões. O meu voto custou ao partido R$ 4,76. O dele custou R$ 65. Eu fui eleita. Ele não”.
Por fim, afirmou que resolveu deixar o PSDB, pois o partido não comportava mais o seu projeto político de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. “Amadureci o entendimento de que a sigla em que construí tantas entregas se distanciava cada vez mais dos valores da social-democracia e das minhas bandeiras. (…) Meus algozes, eu enfrentarei nos tribunais. Os algozes de Goiânia eu enfrento na tribuna.”