Brasil, 02 de março de 2026
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Lulinha admite viagem a Portugal com ‘careca do Inss’, mas nega envolvimento em fraudes no órgão

As passagem aérea de Lulinha em voo de primeira classe foi paga pelo 'careca do INSS'

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 O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, confirmou a interlocutores que viajou a Portugal ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e que teve as passagens aéreas e a hospedagem pagas por ele. A informação foi publicada pelo Estadão, que relata que o episódio é citado em investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o jornal, a Polícia Federal apura menções ao nome de Fábio Luís em depoimentos, mensagens e registros de passagens aéreas no âmbito do inquérito que investiga desvios no INSS. A defesa do empresário sustenta que ele nunca atuou no órgão e nega qualquer participação em irregularidades. Mais tarde, a defesa também afirmou que Fábio Luís não foi ouvido pela reportagem (nota abaixo).

De acordo com relatos feitos por Fábio Luís a pessoas próximas, a viagem ocorreu no fim de 2024, com embarque em 8 de novembro, em voo de primeira classe partindo do Aeroporto de Guarulhos com destino a Lisboa. O objetivo, segundo sua versão, foi visitar uma fábrica de produção de cannabis com fins medicinais na região de Aveiro, cidade costeira conhecida como a “Veneza” de Portugal.

O empresário afirma que foi convidado por Antunes para conhecer o empreendimento e que houve a proposta de uma eventual sociedade na área de cannabis medicinal, mas que o negócio não avançou. Ele nega ter fechado qualquer parceria ou recebido recursos do lobista, além do custeio da viagem e da hospedagem.

Fábio Luís também sustenta que não tem qualquer relação com o esquema investigado pela Polícia Federal no INSS e que desconhecia eventual envolvimento de Antunes nas irregularidades apuradas. Segundo o jornal, ele teria dito a interlocutores que pretende admitir formalmente que o “Careca do INSS” arcou com as despesas da viagem.

Relação com investigados

Ainda conforme o jornal Estado de S. Paulo, Fábio Luís relatou que se aproximou de Antunes por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter recebido pagamentos do lobista. Ele afirma que foi apresentado a Antunes por ela, com quem mantém relação de amizade.

O jornal registra que Roberta Luchsinger atua com serviços de “advocacy” em Brasília, representando interesses de empresas junto a ministérios e agências reguladoras. Já Antunes, além das suspeitas envolvendo o INSS, é apontado como proprietário da empresa World Cannabis, sediada em Brasília.

Segundo a versão atribuída a Fábio Luís por seus interlocutores, encontros com Antunes teriam ocorrido na residência de Roberta Luchsinger, no Lago Sul, em Brasília. Nessas ocasiões, ele afirma ter discutido aspectos técnicos do cultivo de cannabis medicinal, como produção em ambiente indoor e controle de temperatura em estufas, e até sugerido soluções tecnológicas para monitoramento do desenvolvimento das plantas.

Negativa de vínculo com o INSS

A investigação da Polícia Federal, segundo o jornal Estado de S. Paulo, reúne diálogos de WhatsApp, anotações e referências à viagem internacional. Até o momento, contudo, não há documentos que indiquem que Fábio Luís tenha participado da gestão ou de decisões no INSS.

O empresário afirma que suas empresas não prestaram serviços ao lobista e que não recebeu valores dele. De acordo com a reportagem, ele sustenta que essa versão poderá ser comprovada por meio da apresentação de seus extratos bancários, que registrariam apenas recebimento de dividendos de seus próprios negócios.

Negócio em Portugal

Documentos apreendidos pela Polícia Federal, aos quais o jornal Estado de S. Paulo teve acesso, indicam que Antunes avançou em negociações para aquisição de um galpão em Aveiro, pelo valor de 2,7 milhões de euros, com contrato datado do início de fevereiro de 2025. Há ainda registro de pagamento de sinal de 100 mil euros.

Os documentos mencionados não citam Fábio Luís. Conforme a reportagem, o empreendimento não foi concluído após Antunes se tornar alvo da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.

Procurados pelo jornal Estado de S. Paulo, Fábio Luís e Antônio Carlos Camilo Antunes não se manifestaram. Roberta Luchsinger, segundo a publicação, não foi localizada até o fechamento da matéria.

Defesa de Fábio Luís

Em nota, a defesa de Fábio Luís, representada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, afirmou que: “as informações publicadas na matéria veiculada hoje não tiveram como fonte Fábio Luís ou sua defesa. Prestaremos esclarecimentos sobre os fatos ao STF, foro adequado para a apuração, motivo pelo qual considero inoportuna a antecipação da discussão de matéria fática no foro público da imprensa. No entanto, sem entrar em maiores detalhes, ressalto que a reportagem reafirmou pontos que salientamos desde o início: Fábio não tem relação com o esquema do INSS, só soube do envolvimento de Antonio Camilo Antunes após a exposição da imprensa, não foi seu sócio, não prestou serviços a ele e não recebeu valores”.