A produção brasileira de grãos atingiu um patamar inédito em 2025, consolidando o maior volume já registrado desde o início da série histórica, em 1975. O resultado reflete um desempenho expressivo das principais culturas do país, impulsionado tanto pelo avanço tecnológico no campo quanto por condições climáticas amplamente favoráveis ao longo do ano.
Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também apresentou o terceiro prognóstico para a safra de 2026. A estimativa preliminar aponta uma produção de 339,8 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 1,8% em relação ao volume recorde alcançado em 2025.
Em números absolutos, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2025 somou 346,1 milhões de toneladas, superando com folga os resultados anteriores. Entre os destaques estão a soja, que alcançou 166,1 milhões de toneladas, com crescimento de 14,6% em comparação a 2024, além do milho, com 141,7 milhões de toneladas, do algodão, com 9,9 milhões, do sorgo, com 5,4 milhões, e do café canephora, que chegou a 1,3 milhão de toneladas — todos em níveis recordes.
O avanço da produção foi acompanhado pela expansão da área colhida, estimada em 81,6 milhões de hectares em 2025, aumento de 3,2% frente ao ano anterior. Houve crescimento significativo nas áreas plantadas de algodão, arroz, soja, milho e sorgo, enquanto feijão e trigo registraram retração. Ainda assim, o crescimento da área foi bem inferior ao salto produtivo observado ao longo da última década.
Na comparação histórica, o volume colhido em 2025 representa mais que o dobro da produção registrada em 2012, quando o país alcançou 162,0 milhões de toneladas de grãos. No mesmo intervalo de 13 anos, a área plantada avançou 66,8%, evidenciando ganhos relevantes de produtividade no campo brasileiro.
Segundo o gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, esse desempenho é resultado de um esforço contínuo de inovação. “Os ganhos de produtividade das lavouras são frutos de anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Embrapa, que desenvolveu variedades adaptadas aos diversos biomas brasileiros. Esses ganhos também se devem às decisões dos produtores rurais, de investirem cada vez mais em tecnologias avançadas, visando alcançar o máximo do potencial produtivo das plantas”, afirmou.
Guedes também destacou que o recorde de 2025 foi fortemente influenciado pela performance da soja, do milho e do algodão, beneficiadas por condições climáticas especialmente favoráveis ao longo do ciclo agrícola.
Do ponto de vista regional, o Centro-Oeste manteve a liderança na produção nacional, concentrando 51,6% do total colhido em 2025, com 178,7 milhões de toneladas. Em seguida, aparece a região Sul, responsável por 24,9% da produção, equivalente a 86,3 milhões de toneladas. Sudeste, Nordeste e Norte completam o quadro, com participações de 9,0%, 8,0% e 6,5%, respectivamente.
Entre os estados, Mato Grosso se destacou como o maior produtor de grãos do país, respondendo por 32,0% da safra nacional. Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais vêm na sequência, e juntos esses seis estados concentraram 79,7% de toda a produção brasileira em 2025.
Para 2026, o IBGE projeta uma leve retração na safra, estimando um volume total de 339,8 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 6,3 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. De acordo com Guedes, o recuo esperado está associado principalmente às culturas do milho, do sorgo e do arroz. “Como safra de 2025 foi muito boa para esses produtos, partimos de um patamar elevado de comparação, algumas dessas culturas ainda serão implantadas na segunda safra, então dependemos da janela de plantio e das condições climáticas para termos estimativas mais apuradas. Além disso, as margens de lucro estão reduzidas, devido aos preços baixos, o que tem desestimulado os produtores a aumentar a área e os investimento nas lavouras”, explicou.
O prognóstico aponta crescimento da produção em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Piauí e Rondônia, enquanto são esperadas quedas em importantes polos agrícolas, como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia, além de outras unidades da federação.
A partir de 2026, o LSPA passará a incorporar também a canola e o gergelim, culturas que vêm ganhando relevância na agricultura brasileira. Implantado em 1972, o levantamento do IBGE acompanha mensalmente a produção agrícola nacional, desde a intenção de plantio até o encerramento da colheita, oferecendo uma visão detalhada da dinâmica do setor e das perspectivas para as próximas safras.
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