Brasil, 14 de janeiro de 2026
Siga Nossas Redes
Cultura

De volta às novelas, Stepan critica cantores sertanejos: ‘defendem a repressão, a censura’

Stepan retornou às novelas para uma participação especial em ‘Coração Acelerado’, novo folhetim das 7 da Glob ambientado em Goiás, depois de quatro anos longe da TV aberta

Publicado em atualizado às 11:11

Com mais de 50 anos de carreira, o ator goiano Stepan Nercessian vive um momento de intensa atividade profissional. Para ele, trabalhar nunca foi apenas um meio de vida, é uma forma de existir. “É igual oxigênio. Sem trabalhar, a gente não é nada, não é ninguém”, afirma.

Stepan retorna às novelas para uma participação especial emCoração Acelerado’, novo folhetim das 7 da Glob ambientado em Goiás, depois de quatro anos longe da TV aberta. Tendo com pano de fundo o mundo sertanejo, a trama o reconecta a um imaginário que ele conhece bem, mas que hoje observa com uma mistura de saudade e inquietação.

“Já gostei muito de música caipira antigamente. Era o tempo da música caipira que a gente amava, da moda de viola. Hoje tudo se transformou tanto… escuto pagode que eu não identifico como pagode, escuto samba que eu não sei mais se é samba, escuto sertanejo que eu não sei mais se é sertanejo. Hoje tem sertanejo de tudo: sertanejo sexual, sertanejo universitário. Mas é um negócio que fala com o Brasil, esse Brasil do agro, agronegócio e tal”, assinala.

De acordo com o ator, essa guinada de parte do universo sertanejo provocou, sim, uma ruptura afetiva. Ele faz questão de frisar que respeita o direito de cada um pensar como quiser, mas estabelece um limite inegociável quando o assunto é cultura. “Isso me decepciona profundamente. E não falo de uma pessoa só. É toda uma turma que vive falando mal”, diz, referindo-se aos ataques recorrentes a artistas e políticas públicas de fomento.

Ele não esconde sua indignação. “Falam da Lei Rouanet, criticam todo mundo, falam mal dos artistas que não estão alinhados a eles. Acho isso uma estupidez fora do comum”. Stepan disse que Isso muda a forma como ele se relaciona com essas pessoas. “Lamento profundamente, porque são pessoas de quem eu sempre gostei muito, e vou continuar gostando. Mas acho que estão equivocadas. Eles acham que estão no caminho certo, eu acho que estão errados. E eles também têm o direito de achar que o errado sou eu. Mas isso tudo, por um instante, me afasta desse universo. Porque essas músicas falam de amor, de encontro, de poesia… são coisas tão lindas que não combinam com quem defende a morte, a repressão, a censura”.