Brasil, 10 de janeiro de 2026
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Internacional

Joesley Batista atuou para convencer Maduro a renunciar e buscar exílio na Turquia

Segundo o jornal Washington Post, Batista levou a Maduro uma proposta que incluía a renúncia ao cargo e a possibilidade de exílio, com a Turquia entre os países citados como destino potencial. 

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Reportagem publicada neste sábado (10) pelo jornal Washington Post afirma que o empresário goiano Joesley Batista, sócio da J&F, atuou como interlocutor informal dos Estados Unidos nas tentativas de convencer Nicolás Maduro a deixar o poder na Venezuela. 

De acordo com fontes ouvidas pelo jornal americano, Batista levou a Maduro uma proposta que incluía a renúncia ao cargo e a possibilidade de exílio, com a Turquia entre os países citados como destino potencial. 

A deia era oferecer uma alternativa à escalada da pressão militar e econômica conduzida por Washington.

Detalhes da proposta

Além da saída de Maduro, o pacote discutido envolvia pontos considerados estratégicos pelos Estados Unidos. Entre eles, o acesso americano a recursos minerais e ao petróleo venezuelano, além do rompimento político com Cuba, aliada histórica do chavismo.

Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o empresário brasileiro não agiu oficialmente a pedido do governo americano. Mesmo assim, suas avaliações e impressões sobre o encontro em Caracas, no fim de novembro de 2025, foram repassadas a Washington e “levadas em consideração” no processo decisório.

A reação do regime foi negativa. Fontes relataram que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, rejeitaram as propostas apresentadas, e a Casa Branca deu como encerrada a possibilidade de uma transição negociada.

A missão de Batista ocorreu após o fracasso de iniciativas diplomáticas conduzidas por enviados formais, como o então emissário especial Richard Grenell, e por intermediários internacionais, incluindo o Catar.

Com a recusa de Maduro e o esgotamento das alternativas políticas, a avaliação em Washington passou a ser a de que não haveria mais espaço para acordos.

Essa leitura abriu caminho para a opção militar, que culminaria, semanas depois, na operação que resultou na captura do ditador venezuelano.

Encontro em Caracas

A reportagem confirma apuração da Bloomberg, que publicou no início de dezembro uma matéria dizendo que Joesley havia viajado a Caracas para tentar convencer o ditador a renunciar.

Segundo a agência de notícias, o encontro ocorreu em 23 de novembro, dias após Trump instar Maduro, por telefone, a deixar o país.

A reportagem diz que autoridades do governo Trump estavam cientes dos planos de Joesley de conversar com Maduro. Contudo, não foi solicitado ao dono da J&F viajar em nome da Casa Branca.