Brasil, 07 de janeiro de 2026
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Internacional

Governo Trump recua de acusação de ligação de Maduro a cartel de drogas

O Departamento de Justiça dos EUA abandonou a tese de que Maduro chefiaria uma organização criminosa formal conhecida como Cartel de los Soles

Publicado em atualizado às 23:10

O governo Trump recuou de uma das principais acusações usadas nos últimos anos contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro. O Departamento de Justiça dos EUA abandonou a tese de que Maduro chefiaria uma organização criminosa formal conhecida como Cartel de los Soles, frequentemente citada como peça central de uma suposta conspiração internacional de tráfico de drogas.

A mudança consta de uma nova versão da acusação divulgada no sábado (3), após o sequestro de Maduro, e foi revelada pelo The New York Times, que teve acesso ao documento revisado. A denúncia original havia sido apresentada em 2020, ainda no primeiro governo Trump, e serviu de base para uma série de medidas adotadas posteriormente por diferentes órgãos do governo norte-americano.

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Na acusação inicial, o Cartel de los Soles era descrito como um cartel de drogas estruturado, liderado por Maduro e responsável por operações internacionais, incluindo o envio de cocaína aos Estados Unidos. Essa linguagem foi reproduzida em julho de 2025 pelo Departamento do Tesouro, que classificou o grupo como organização terrorista, e voltou a ser reforçada em novembro, quando o então secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional, Marco Rubio, orientou o Departamento de Estado a adotar a mesma classificação.

Especialistas em crime organizado na América Latina, no entanto, sempre contestaram essa caracterização. Segundo eles, o termo Cartel de los Soles surgiu nos anos 1990 como uma expressão informal da imprensa venezuelana para se referir a redes de corrupção envolvendo agentes públicos, sem que exista evidência de uma organização criminosa com estrutura definida.

A nova acusação do Departamento de Justiça parece incorporar essa avaliação. Embora mantenha a acusação de conspiração para o tráfico de drogas, o texto deixa de tratar o Cartel de los Soles como uma entidade real. Em seu lugar, descreve um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” alimentados por recursos do narcotráfico. Onde o documento de 2020 mencionava o suposto cartel 32 vezes e apontava Maduro como seu líder, a versão revisada faz apenas duas referências e afirma que ele e seu antecessor, Hugo Chávez, supostamente “participaram, perpetuaram e protegeram” esse sistema.