
ONU diz que ação dos EUA na Venezuela mina princípio fundamental do direito internacional
"Estados não devem usar força para buscar suas reivindicações territoriais ou demandas políticas"

"Estados não devem usar força para buscar suas reivindicações territoriais ou demandas políticas"
O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse que a ação dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, na madrugada de sábado (4), “minou um princípio fundamental do direito internacional”. Ele publicou a crítica nesta terça-feira (6) no X.
“A operação militar norte-americana na Venezuela mina um princípio fundamental do direito internacional: Estados não devem usar força para buscar suas reivindicações territoriais ou demandas políticas. A sociedade venezuelana precisa de cura, e o futuro do país deve ser decidido por seu povo”, escreveu na rede social.
Além disso, ele afirmou em artigo no The Guardian que está “profundamente perturbado” com o que aconteceu na Venezuela. Ele ainda lembrou que o gabinete dele na ONU já “condena as graves violações dos direitos humanos cometidas pelas autoridades venezuelanas” há muito tempo, além de criticar o regime de Maduro.
Ainda segundo ele, os direitos humanos são centrais no futuro da Venezuela. Assim, é preciso justiça para reconstruir a sociedade e a economia venezuelana. “Não precisa de militarização, violência ou mais incerteza e instabilidade.”
Mesmo crítico ao governo venezuelano, ele também é contrário à ação dos EUA. Para Türk, o ataque contra a soberania da Venezuela enfraquece o direito internacional e “deixa todos os países menos seguros”. Diz, ainda, que a comunidade internacional precisa “parar de apenas falar em direitos humanos e começar a defender a Carta da ONU e o direito internacional. A alternativa terá consequências terríveis”.
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nessa segunda-feira (5). A maioria das nações criticou a operação dos Estados Unidos. Os EUA, por sua vez, justificaram a ação, dizendo que Maduro é um “narcoterrorista”. Além disso, afirmou não haver “uma guerra contra a Venezuela ou seu povo”.
Secretário-geral da ONU, António Guterres disse estar “extremamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, o impacto potencial na região e o precedente que isso pode estabelecer sobre como as relações entre os Estados são conduzidas”.
The U.S. military operation in Venezuela undermines a fundamental principle of international law: States must not use force to pursue their territorial claims or political demands.
— Volker Türk (@volker_turk) January 6, 2026
Venezuelan society needs healing and the country’s future must be decided by its people.
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