‘Diagnóstico não é destino’: João Vitor é o primeiro graduado em Educação Física na PUC Goiás com Síndrome de Down
“Eu gosto muito de esporte, queria cursar Educação Física e mostrar para as pessoas que eu sou capaz. Tenho síndrome de Down, mas faço tudo”
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O influenciador João Vitor de Paiva Bittencourt, de 24 anos, recebeu o diploma de bacharel em Educação Física e se tornou o primeiro aluno com deficiência intelectual a concluir o curso na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). “Diagnóstico não é destino”, afirmou na quinta-feira (28), quando colou grau em cerimônia no Centro de Convenções da universidade, no Jardim Mariliza, em Goiânia.
Participaram da cerimônia familiares, amigos e colegas de turma. “Eu gosto muito de esporte, queria cursar Educação Física e mostrar para as pessoas que eu sou capaz. Tenho síndrome de Down, mas faço tudo”, afirmou João Vitor, que disse realizar um sonho com a formatura.
O jovem é conhecido nas redes sociais por compartilhar conteúdos sobre inclusão, acessibilidade e superação. Somando Instagram e TikTok, ele tem mais de um milhão de seguidores. Além disso, o João é palestrante, ator, modelo e já foi reconhecido como Jovem Ativista do Unicef e venceu o Prêmio iBest na categoria Diversidade e Inclusão em 2024. “Eu sou um aluno que realizou muitos sonhos. Quero mostrar que outros também podem. Os filhos de vocês podem ser o que quiserem”, disse e emendou: “O diagnóstico não é destino. Não desistam dos seus sonhos.”
Família foi base fundamental
Os pais de João Vitor, João Bosco e Márcia Regina de Paiva, estavam na plateia. O pai cita que foi o próprio filho que decidiu continuar os estudos após o ensino fundamental. “Uma psicopedagoga disse que ele tinha chegado ao teto, mas ele quis continuar. Fez o ensino médio e quis fazer vestibular. Passou em quatro universidades, duas em Goiás e duas em São Paulo. Escolheu a PUC”, disse orgulhoso.
Já a mãe lembrou que, desde o nascimento de João Vitor, ela assumiu o compromisso de garantir a ele as mesmas oportunidades. “Quando o João nasceu e veio o diagnóstico da Síndrome de Down, eu prometi que ele seria o que quisesse ser. Não pode ser um caso isolado. Outras crianças também têm o direito de viver ativamente”, afirmou Márcia. “Nunca duvidamos da capacidade dele. Quando a criança sabe que a família acredita nela, ela ganha coragem para enfrentar os desafios”, completou.
Inclusão no ensino superior
João Vitor e a família entendem que a formatura é um marco para o movimento de inclusão no ensino superior. Conforme amigos, o percurso acadêmico e profissional dele também reforça a importância de políticas e espaços educacionais acessíveis e acolhedores. Não apenas para pessoas com deficiência, mas para todos.