
O prefeito de Jataí (GO), Geneilton Assis, estaria interessado em migrar do PL para a base do governador Ronaldo Caiado. Segundo fontes ouvidas pelo B24h, o gestor teria emitido sinais para sondar uma eventual adesão ao governo. A hipótese é bombástica e vem repercutindo intensamente nos meios políticos.
O movimento ensaiado por Geneilton estaria embasado em três fatores. O primeiro seria a necessidade de viabilizar sua administração em Jataí. A vinculação a uma sigla da base de Caiado, no caso o MDB, abriria canais para atração de recursos estaduais para obras e serviços na cidade.
Sem apoio do governo, Geneilton forçosamente repetiria a trajetória do ex-prefeito Vinicius Luz, que encerrou seu mandato enredado por dívidas, faltando obras e amargando um altíssimo índice de impopularidade, o que abortou até mesmo a tentativa de reeleição.
O segundo fator diz respeito ao esvaziamento do PL goiano e o consequente enfraquecimento do senador Wilder Morais, virtual pré-candidato do bolsonarismo a governador. Como se sabe, a quase totalidade dos 26 prefeitos do PL está fazendo fila na porta do Palácio das Esmeraldas para embarcar na canoa governista. O cordão é puxado pela prefeita de Formosa, Simone Ribeiro, e pelo prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, que tem ligações históricas com Daniel, Vilela.
Ao derrotar os candidatos de Bolsonaro em Goiânia, Rio Verde e Aparecida de Goiânia, Caiado reafirmou sua força em Goiás e projetou seu nome no cenário da sucessão presidencial. Além disso, fortaleceu o nome de Daniel Vilela como seu sucessor, isolando ainda mais o bolsonarismo e Wilder Morais.
A terceira e mais determinante variável tem nome e endereço: Daniel Vilela. Como o vice-governador é nascido em Jataí e tem o passaporte carimbado o passaporte para assumir o governo em abril de 2026, não seria bom negócio para Geneilton ficar na oposição a Daniel, o que poderia prejudicar não só a sua gestão como também um eventual projeto de reeleição. Governador e prefeito do mesmo lado facilitam muito a vida da gestão municipal.
A se confirmar mesmo o interesse de Geneilton em ingressar na base governista, ele teria uma tarefa hercúlea pela frente: remover vetos de setores políticos de Jataí. De acordo com fontes, o ex-prefeitos Humberto Machado e Nelson Antônio sequer admitem se sentar à mesa com ele. Geneilton também teria a resistência do prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, que não perdoaria a afronta de ter falado mal dele no palanque do seu adversário, o Professor Alcides.
Seja como for, fato é que a fumaça detectada em Jataí pode ter fogo por trás. E esse fogo teria sido ateado pelo Major Vitor Hugo, ex-deputado federal e atual vereador em Goiânia, Major Vitor Hugo (PL), que conversou há alguns dias com Geneilton sobre o apoio a Daniel.
Como em política tudo é possível, não se pode descartar a possibilidade de Geneilton, ao final e ao cabo, buscar novas alianças e cerrar fileiras com desafetos políticos em Jataí.