
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), respondeu com ironia as críticas sobre a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) lembrando os problemas herdados de gestões anteriores. “Se a oposição está reclamando da operação do BRB é porque estamos no caminho certo. Eles quase quebraram o banco com suas gestões desastrosas. Recebi a chave do BRB da Polícia Federal”, afirmou.
A declaração refere-se à Operação Circus Maximus, que em 2019 investigou um esquema de propina envolvendo o banco durante a gestão do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Na época, o então presidente do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, e outras 13 pessoas foram presas pela PF.
Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou 17 indivíduos por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, com prejuízo estimado em R$ 348 milhões ao banco, embora a ação penal tenha sido posteriormente trancada pela Justiça.Já nesta segunda-feira, o Ministério Público de Contas do DF abriu investigação sobre a transação de R$ 2 bilhões que deu ao BRB 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. O órgão solicitou detalhes do processo decisório e documentos completos sobre a operação.
O anúncio da aquisição chamou atenção pelo rápido crescimento do Master, que quintuplicou sua carteira de crédito desde 2021, oferecendo CDBs com taxas até 140% do CDI – prática que levou o BC a ajustar regras para o setor.
O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) pediu apuração, alertando para riscos ao patrimônio público. O Sindicato dos Bancários do DF classificou a compra como “possível gestão temerária”.
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, garantiu que a negociação foi técnica e isenta de interferências políticas. “A Operação será precedida por uma reorganização societária do Banco Master, de modo que certos ativos e passivos não estratégicos serão segregados”, explicou em comunicado.
O negócio ainda depende de aval do Banco Central e do Cade, além da conclusão de auditoria sobre os ativos do Master. Enquanto isso, o debate sobre os riscos e oportunidades da aquisição continua acalorado no Distrito Federal.